segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Amor Platônico


Moro em uma casa linda, sua parte externa é invejada por muitos que ali passam todo o tempo, sempre em perfeita ordem, passa uma imagem de que tudo está em perfeito estado e que não precisa de reforma.

Estou acordado em meu quarto escuro na madrugada gélida, o cobertor havia caído durante a noite enquanto dormia, estava muito longe do meu alcance para que pudesse pegar, estava muito frio e escuro, peguei o travesseiro e o abracei para me esquentar. A casa inteira sempre ficava com o ar frio todas as noites, dava para ouvir o barulho do vento passando pelos corredores até entrarem pela fechadura e por baixo da porta de meu quarto. Eu estava ali, no escuro com muito frio e sozinho, você foi embora levando a alegria, o carinho, o amor, o seu calor, a vida que havia neste lar e a luz que faziam parte de mim.

Antes de você partir, lembro-me muito bem o que havia me dito:

- Estarei sempre no amanhecer e partirei no por do sol.

Mas ela não me disse que as noites seriam frias, longas, escuras e muito doloridas.

Levantei da cama todo encolhido e abraçado no travesseiro, vesti um casaco, calcei os chinelos que estavam ao lado da cama, fui tateando pelo escuro atrás do interruptor e fui abrindo todas as portas e janelas da casa. Sai pela porta dos fundos, me direcionando para a praia, chegando á beira do mar, me sentei e fiquei esperando pelo primeiro raio de luz se erguer do horizonte. Ao ver o nascer do sol, avisto uma mulher ao longe caminhando em minha direção e essa pessoa era a mulher na qual disse que viria todas as manhãs me ver.

Ergui-me do chão ao seu encontro, senti suas mãos quentes e macias em minha pele, abracei-a fortemente e lacrimejei de felicidade, meu peito estava inquieto, sua voz tocava meu ser, o deixando leve como uma pluma, á convidei para entrar e fomos caminhando devagar para a entrada da casa. Conforme nós íamos se aproximando da porta, o sol vinha nos acompanhando, ao entrar na casa, logo se deu vida à mesma e tudo tinha voltado como era antes, os quadros nas paredes que antes pareciam cinza e sem vida, agora estavam cheio de cor transmitindo muita alegria, as paredes ao serem tocadas pelos raios de luz do sol, brilhavam como se fossem ouro, o chão de madeira ficou com sua cor realçada e o frio que ali estava já havia esquentado dando vida ao lugar.

Passamos o dia juntos, aproveitando cada segundo do decorrer do dia, almoçamos juntos, andamos pela praia, olhamos as nuvens se transformarem em várias formas, cochilamos juntos na areia, rimos de nossas conversas e sem mais, ela já tinha que partir, o sol estava se pondo e ela foi embora sem se despedir.

 A noite chegou muito rápido, o vento gélido arrepiava minha pele e novamente chorei, mas chorei de tristeza, por não saber se ela voltaria no dia seguinte, pois o tempo é incerto.

A casa sempre está linda e perfeita do lado de fora, mas no lado de dentro tudo havia voltando como eram nas noites anteriores, sem vida, sem animo, sempre muito escura e fria. A noite sempre demora a passar, pois fico acordado sentido muita a falta dela, pensando como seria bom se ela vivesse comigo e não na minha imaginação. 

Celso Moreira jacinto 
03/12/2012

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