segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013

Ando pelo vale das sombras, as são árvores negras com galhos negros, o céu é negro e sem estrelas, tudo neste lugar é muito escuro, o barulho é arrepiante, de colocar medo em qualquer um.

Sigo bem devagar, tateando o que está a minha frente, tentando criar uma imagem de como é este lugar.

No céu escuro, uma luz branca e azul se destaca, iluminando tudo ao redor, ela cai em chamas no meio da floresta negra. Sigo a direção da luz até o local da queda.

Ao chegar no local, vejo entre a luz, a fisionomia de uma mulher e seu corpo brilhava intensamente. Após seu aparecimento para mim, o lugar na qual estava, ficou claro como o dia, uma dia que a muito não via, me senti mais vivo.

Ela esticou os braços em minha direção e abriu as mãos me chamando, segurei firme a mão dela e ela me mostrou a luz, a luz do novo mundo.

FELIZ ANO NOVO

Celso Moreira Jacinto
31/12/12

sábado, 22 de dezembro de 2012

O labirinto


O labirinto têm corredores estreitos com lindas rosas cobrindo o chão e as paredes, a cima está o céu azul com nuvens e todas as vezes que seguimos pelos corredores, a nossa pele se corta, das poucas vezes  que chove, essa água cristalina limpa os ferimentos e a alma, aliviando-nos de todas as dores provenientes dos cortes.

Em nossas mentes, sentimos que estamos em um labirinto cheio de espinhos, arames farpados e tudo que possa cortar a nossa frágil pele humana, todos os caminhos que seguimos cortam, ferem, mutilam, perfuram carnalmente e sentimentalmente, mesmo assim continuamos em frente, em busca do caminho correto. Todos os caminhos seguidos são idênticos, porém, seguimos com o coração e este nunca nos leva ao mesmo cominho, mas como sabemos?

A resposta para esta pergunta é simples. Conforme nós nos aventuramos por estes caminhos estreitos, as rosas vão mudando quase que imperceptivelmente sua tonalidade, vão ficando mais vivas e mais cheirosas.

O sangue que jorra ao chão e nas paredes, caem dentro de uma taça de cristal, todas as vezes que adentramos em um corredor de superfícies cortantes, nosso sangue vai para esse recipiente. Uma mulher segura esta taça logo abaixo do labirinto. Ao coletar uma quantidade significativa de sangue, ela leva a taça à boca e ao tocar a taça nos lábios e o sangue na língua, ela não sente o sabor e o cospe, entornando tudo em qualquer lugar e mal ela sabe que respirando pode sentir gosto, mas ao invés disso ela prende a respiração e por tanto não sente o sabor.

O labirinto parece ser infinito, o caminho é doloroso de mais, mas algo dentro de nós nos faz ter forças para continuar e não desistir nunca. Algo maravilho espera no final ou no meio do caminho.

A todos os momentos ela prova este sangue e de pouco em pouco ela sente um leve sabor quase que insignificante, mas que nunca para de prova-lo e avalia-lo.

Celso Moreira Jacinto
22/12/2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Aos Mestres


Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Em todos os anos na qual fomos à escola, seja no ensino médio, no ensino fundamental e superior, sempre tivemos que respeitar o professor, mas por quê?

Desde pequenos somos condicionados a ter respeito ao próximo e não somente aos professores, o respeito é o ato de não fazermos ao outro o que jamais gostaríamos que fizessem com a gente, dando espaço para que possam expressar suas opiniões, sem discriminações ou punições, é não maltratar pessoas, simplesmente porque nos consideramos certos ou melhores.

Por alguns anos venho me perguntado, por que eu respeito tanto um professor na sala de aula? A resposta aparentemente estava a minha frente o tempo todo e não havia enxergado, desde pequeno sempre pratiquei um esporte e em todos os esportes há regras de conduta. No Judô há regras que devem ser cumpridas por todos os que praticam, o dojo é um local onde purificamos, enriquecemos a mente e o espírito. Portanto tal local deve ser preenchido com atitudes de respeito, gratidão e ajuda mútua. Ao entrar no dojo você percebe que todas as pessoas esforçam-se para manter essas atitudes, logo estas devem ser praticadas com sinceridade.

Assim como no dojo, a sala de aula também se deve ter um respeito, afinal, é nela que os mestres dão suas aulas, o aluno é como se fosse um solo fértil, onde o professor semeia suas melhores sementes para que se produzam belos frutos. A relação professor/aluno deve ser cultivada a cada dia, pois um depende do outro e assim os dois crescem e caminham juntos. E é nessa relação madura que o professor deve ensinar que a aprendizagem não ocorre somente em sala de aula. Se estivermos atentos aprendemos a todo o momento e não só na escola com o professor. Assim, o aluno irá desenvolver um espírito pesquisador e interessado pelas coisas que existem, ele desenvolverá uma necessidade por aprender, tornando-se  um ser questionador e crítico da realidade que o circunda.

Quem, entre nós, hoje em dia, está ensinando que professor é para ser respeitado? Quem mostra a quem nunca teve professor quanto vale ter um? No Japão, por exemplo, os mestres sempre foram reverenciados. Conta-se que o professor era o único profissional que poderia permanecer de pé ao falar com o imperador, sem precisar cumprir o ritual de se ajoelhar perante sua autoridade. Numa sociedade hierarquizada como a japonesa, foi o maior sinal de respeito com que o imperador demonstrou ao seu povo como se deveria tratar o professor.

Toda autoridade pública, aclamada ou não nas pesquisas de opinião, tem hoje responsabilidade direta em demonstrar respeito ao magistério. Presidente, governadores, prefeitos, ministros e secretários, deputados e senadores, sindicatos, artistas, jogadores de futebol podem ajudar mostrando que professor é para ser honrado e agraciado com formas de reconhecimento público, medalhas e honrarias. Tudo serve, e nada é demais.

Nossos filhos e netos precisam dos professores que temos hoje, e dos seus sucessores que estão sendo formados agora. E precisam saber que todos eles devem ser respeitados para ter êxito em sua tarefa.

Estudar e praticar – a sério – um esporte nem sempre são tarefas simples de conciliar. Nos Estados Unidos, no entanto, é uma rotina comum e incentivada por faculdades, que dão bolsas para atletas com boas notas frequentarem suas instituições e competirem por elas nas ligas esportivas acadêmicas daquele país.

Ao aliarmos Esporte e Educação de qualidade, é possível permitir que crianças e jovens se sintam participantes da sociedade, além de possibilitar que eles desenvolvam habilidades de concentração e coordenação motora, fundamentais para o desenvolvimento físico, psicológico e para o processo educacional.

Salário, por mais alto que seja, não traz respeito - mas respeito valoriza o salário. Sem respeito em sala de aula, ninguém ensina, e ninguém aprende nada.

Agradeço a todos os grandes Mestres que passaram por nossas vidas ou que ainda estão por vir, nos dando seus conhecimentos, orientações e ensinamentos. Obrigado por ajudarem a conquistar o que conquistamos hoje e o que ainda estamos pra conquistar. 

Celso Moreira Jacinto 
11/12/2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Amor Platônico


Moro em uma casa linda, sua parte externa é invejada por muitos que ali passam todo o tempo, sempre em perfeita ordem, passa uma imagem de que tudo está em perfeito estado e que não precisa de reforma.

Estou acordado em meu quarto escuro na madrugada gélida, o cobertor havia caído durante a noite enquanto dormia, estava muito longe do meu alcance para que pudesse pegar, estava muito frio e escuro, peguei o travesseiro e o abracei para me esquentar. A casa inteira sempre ficava com o ar frio todas as noites, dava para ouvir o barulho do vento passando pelos corredores até entrarem pela fechadura e por baixo da porta de meu quarto. Eu estava ali, no escuro com muito frio e sozinho, você foi embora levando a alegria, o carinho, o amor, o seu calor, a vida que havia neste lar e a luz que faziam parte de mim.

Antes de você partir, lembro-me muito bem o que havia me dito:

- Estarei sempre no amanhecer e partirei no por do sol.

Mas ela não me disse que as noites seriam frias, longas, escuras e muito doloridas.

Levantei da cama todo encolhido e abraçado no travesseiro, vesti um casaco, calcei os chinelos que estavam ao lado da cama, fui tateando pelo escuro atrás do interruptor e fui abrindo todas as portas e janelas da casa. Sai pela porta dos fundos, me direcionando para a praia, chegando á beira do mar, me sentei e fiquei esperando pelo primeiro raio de luz se erguer do horizonte. Ao ver o nascer do sol, avisto uma mulher ao longe caminhando em minha direção e essa pessoa era a mulher na qual disse que viria todas as manhãs me ver.

Ergui-me do chão ao seu encontro, senti suas mãos quentes e macias em minha pele, abracei-a fortemente e lacrimejei de felicidade, meu peito estava inquieto, sua voz tocava meu ser, o deixando leve como uma pluma, á convidei para entrar e fomos caminhando devagar para a entrada da casa. Conforme nós íamos se aproximando da porta, o sol vinha nos acompanhando, ao entrar na casa, logo se deu vida à mesma e tudo tinha voltado como era antes, os quadros nas paredes que antes pareciam cinza e sem vida, agora estavam cheio de cor transmitindo muita alegria, as paredes ao serem tocadas pelos raios de luz do sol, brilhavam como se fossem ouro, o chão de madeira ficou com sua cor realçada e o frio que ali estava já havia esquentado dando vida ao lugar.

Passamos o dia juntos, aproveitando cada segundo do decorrer do dia, almoçamos juntos, andamos pela praia, olhamos as nuvens se transformarem em várias formas, cochilamos juntos na areia, rimos de nossas conversas e sem mais, ela já tinha que partir, o sol estava se pondo e ela foi embora sem se despedir.

 A noite chegou muito rápido, o vento gélido arrepiava minha pele e novamente chorei, mas chorei de tristeza, por não saber se ela voltaria no dia seguinte, pois o tempo é incerto.

A casa sempre está linda e perfeita do lado de fora, mas no lado de dentro tudo havia voltando como eram nas noites anteriores, sem vida, sem animo, sempre muito escura e fria. A noite sempre demora a passar, pois fico acordado sentido muita a falta dela, pensando como seria bom se ela vivesse comigo e não na minha imaginação. 

Celso Moreira jacinto 
03/12/2012

domingo, 2 de dezembro de 2012

A lua e a estrela

Dedico este texto a minha amiga Thatiana Pereira que muito tem me apoiado nos momentos tristes e alegres da vida.

A lua está majestosamente bela em destaque no céu escuro, cheio de nuvens, porém muito iluminado em sua forma cheia e graciosa.

Comecei a prestar atenção a todos os detalhes tidos em volta. Ao fundo podia-se ouvir, quase que raramente, um automóvel passando, o som dos aparelhos de ar ligados da vizinhança ecoavam por todos os lados, o vento refrescante trás consigo um cheiro um tanto inusitado para uma cidade grande a beira do litoral, um cheiro de grama molhada, é possível se ouvir quase que imperceptível o som emitido pelos morcegos, que por sua vez, dão vida a noite, o brilho da lua ilumina o céu e a tudo onde sua luz pudesse tocar.

Ao me deparar com tal beleza, senti uma vontade descontrolada de chorar e meus olhos se encheram de lágrimas, não consegui conter tamanha emoção por este momento inesquecível.

Lembro-me das raras vezes que pude admirar o céu a noite estrelado ou como o descrito acima, sempre fui apaixonado pelo universo e tudo o que o compõe. A última vez que pude olhar o céu estrelado com poucas nuvens ao som do quebrar das ondas, foi em uma casa de praia na qual peguei uma cadeira reclinável, apaguei as luzes, deitei e simplesmente contemplei o que via e ouvia, chegando a certo momento que pude perceber o movimento giratório da Terra.

Ao olhar atentamente para a lua, percebo um brilho de mesma intensidade a sua esquerda, vejo então que se trata de uma pequena estrela, na qual não se intimida por ser tão inferior ao tamanho da lua.

Não importa o quão distante estamos um do outro, não importa nossos tamanhos, não importa nossas formas ou a situação na qual estejamos, pois quando amamos um ao outro, o brilho do nosso amor é igual, nitidamente visível por nos e por todos ao nosso redor com a mesma intensidade, como a estrela e a lua.

Celso Moreira Jacinto 

01/12/12