domingo, 1 de setembro de 2013

Naquela noite fria eu estava só, já estava cansado de tanta solidão, eu tenho tudo..., um excelente emprego, uma casa dos sonhos na praia, um carro esportivo, mas ao mesmo tempo não tenho nada. Minha vida sempre esteve incompleta mais como sempre gostei de trabalhar com o que gosto, isso ficou meio que de lado e hoje, nesta fatídica noite senti todo o peso da solidão cair sobre mim, eu estava à beira de uma depressão sem ter para onde correr.

Enquanto vagava dirigindo por uma das ruas de um bairro nobre, notei que uma das casas da rua estava tendo uma festa, estacionei o carro do outro lado da rua e fiquei observando o movimento. ...os tipos de carros parados, a vestimenta das pessoas, as idades que aparentavam ter, a iluminação do local, do que se tratava... Essas coisas. Fiquei me distraindo até que aquela sensação de que o “mundo vai acabar” passasse. Vesti meu terno dentro do carro e me direcionei a entra da festa, tinha tanta gente passando para lá e para cá que nem saberiam quem eu era, fiquei um bom tempo na casa e aos poucos foram saindo às pessoas, umas estavam embriagadas, outras estavam ali só para curtir e outras foram somente para azarar, pois se tratava da festa de formatura da turma de Arquitetura de 2008.

A festa parecia estar acabando, havia poucas pessoas espalhadas mais em grupos de cinco há sete pessoas, a musica já tinha sido desligada por causa do horário, mas que ainda havia gente chegando. Fui para a cozinha pegar um copo de água gelada e encostei-me à parede enquanto apreciava o líquido deslizar suavemente pela minha garganta, da cozinha dava pra ver a sala e uma coisa chamou minha atenção naquele local.

"Olho atentamente para uma mulher que está sentada no sofá sozinha, esta mulher é de uma beleza invejável, mas por alguma razão estava sozinha e de cabeça levemente abaixada, esperei para ver se alguém iria até ela, mas todos simplesmente a ignoravam - me aproximei para saber o motivo e ela me olhava com aquele olhar de que precisava de alguém pra dar apoio - mas que não disse nada."

Foi ali, naquele lugar que minha vida havia de fato começado. Ao ver aqueles olhos castanhos lembrei-me de onde havia conhecido aquela mulher.

Há alguns anos atrás tínhamos sido colegas de trabalho, mas que raramente nos falávamos e se falávamos era sobre trabalho. Naquele ano a empresa na qual estávamos, estava comemorando seus quarenta anos de mercado e havia prometido comemorar em um resort. Foi neste lugar que a conheci, pude parar para conversar com mais calma e a convidar para explorar o local. O lugar era absolutamente lindo, o hotel tinha seus cinco andares mais várias casas espalhadas, as moradias eram muito espaçosas e privativas, mas luxuosas e equipadas com um sistema de entretenimento Bose, acesso à Internet, casa de banho ao ar livre e chuva. O serviço era supervisionado, tendo em vista todas as necessidades de chegada até a partida, um verdadeiro luxo!

As casas se se localizavam no fundo do Oceano Índico, o céu azul com poucas nuvens espalhadas passavam um ar de muita tranquilidade, a luz do sol tocava a superfície da água verde turquesa refletindo em nossos olhos uma sensação mágica de que é naquele lugar que precisamos para relaxar e como se não bastasse tanta beleza em um único lugar, a areia do fundo era branca, passando a segurança de paz e tranquilidade.

A festa durou três dias, nos dois primeiros dias, fiquei me divertindo não só com ela, mas com todos e ela pode realmente confiar em mim, pois havia conquistado sua confiança. No último dia à noite, fui para a beira da praia sobre a luz do luar, me sentei no pé do coqueiro e fiquei observando o céu escuro com algumas nuvens iluminadas pela lua e algumas estrelas bem distantes piscando desordenadamente.

A noite estava fria, sentia o vento me tocar a pele fazendo-me arrepiar-se todo, o mesmo vento massageava as copas das árvores e a dos coqueiros a minha volta, o som vindo das ondas chocando-se contra a areia da praia era de purificar a alma - junto com os sons dos animais da mata – estava tudo perfeito e do nada ela surgiu, sentou-se ao meu lado toda encolhida do frio e sem dizer uma única palavra ficou ali comigo observando a natureza.

Tirei meu casaco e a insisti que o vestisse, nessa hora nossos olhos se petrificaram um perante o outro e ficamos nos olhando sem perceber, meio que olhando para o infinito, mas com a sensação de tocar a alma do outro profundamente... Logo me senti em paz, sem aquela solidão ao me lembrar daquele olhar que não via há anos e de poder revê-lo novamente.


Celso Moreira Jacinto
31/08/2013

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