Naquela noite fria eu estava só,
já estava cansado de tanta solidão, eu tenho tudo..., um excelente emprego, uma
casa dos sonhos na praia, um carro esportivo, mas ao mesmo tempo não tenho
nada. Minha vida sempre esteve incompleta mais como sempre gostei de trabalhar
com o que gosto, isso ficou meio que de lado e hoje, nesta fatídica noite senti
todo o peso da solidão cair sobre mim, eu estava à beira de uma depressão sem
ter para onde correr.
Enquanto vagava dirigindo por uma
das ruas de um bairro nobre, notei que uma das casas da rua estava tendo uma
festa, estacionei o carro do outro lado da rua e fiquei observando o movimento.
...os tipos de carros parados, a vestimenta das pessoas, as idades que aparentavam
ter, a iluminação do local, do que se tratava... Essas coisas. Fiquei me
distraindo até que aquela sensação de que o “mundo vai acabar” passasse. Vesti meu terno dentro do carro e me
direcionei a entra da festa, tinha tanta gente passando para lá e para cá que
nem saberiam quem eu era, fiquei um bom tempo na casa e aos poucos foram saindo
às pessoas, umas estavam embriagadas, outras estavam ali só para curtir e outras
foram somente para azarar, pois se tratava da festa de formatura da turma de
Arquitetura de 2008.
A festa parecia estar acabando, havia
poucas pessoas espalhadas mais em grupos de cinco há sete pessoas, a musica já
tinha sido desligada por causa do horário, mas que ainda havia gente chegando.
Fui para a cozinha pegar um copo de água gelada e encostei-me à parede enquanto
apreciava o líquido deslizar suavemente pela minha garganta, da cozinha dava
pra ver a sala e uma coisa chamou minha atenção naquele local.
"Olho atentamente para uma mulher
que está sentada no sofá sozinha, esta mulher é de uma beleza invejável, mas
por alguma razão estava sozinha e de cabeça levemente abaixada, esperei para
ver se alguém iria até ela, mas todos simplesmente a ignoravam - me aproximei
para saber o motivo e ela me olhava com aquele olhar de que precisava de alguém
pra dar apoio - mas que não disse nada."
Foi ali, naquele lugar que minha
vida havia de fato começado. Ao ver aqueles olhos castanhos lembrei-me de onde
havia conhecido aquela mulher.
Há alguns anos atrás tínhamos sido
colegas de trabalho, mas que raramente nos falávamos e se falávamos era sobre
trabalho. Naquele ano a empresa na qual estávamos, estava comemorando seus quarenta
anos de mercado e havia prometido comemorar em um resort. Foi neste lugar que a
conheci, pude parar para conversar com mais calma e a convidar para explorar o
local. O lugar era absolutamente lindo, o hotel tinha seus cinco andares mais
várias casas espalhadas, as moradias eram muito espaçosas e privativas, mas
luxuosas e equipadas com um sistema de entretenimento Bose, acesso à Internet,
casa de banho ao ar livre e chuva. O serviço era supervisionado, tendo em vista todas as
necessidades de chegada até a partida, um verdadeiro luxo!
As casas se se localizavam no
fundo do Oceano Índico, o céu azul com poucas nuvens espalhadas passavam um ar
de muita tranquilidade, a luz do sol tocava a superfície da água verde turquesa
refletindo em nossos olhos uma sensação mágica de que é naquele lugar que
precisamos para relaxar e como se não bastasse tanta beleza em um único lugar,
a areia do fundo era branca, passando a segurança de paz e tranquilidade.
A festa durou três dias, nos dois
primeiros dias, fiquei me divertindo não só com ela, mas com todos e ela pode
realmente confiar em mim, pois havia conquistado sua confiança. No último dia à
noite, fui para a beira da praia sobre a luz do luar, me sentei no pé do
coqueiro e fiquei observando o céu escuro com algumas nuvens iluminadas pela
lua e algumas estrelas bem distantes piscando desordenadamente.
Tirei meu casaco e a insisti que o vestisse, nessa hora nossos olhos se petrificaram um perante o outro e ficamos nos olhando sem perceber, meio que olhando para o infinito, mas com a sensação de tocar a alma do outro profundamente... Logo me senti em paz, sem aquela solidão ao me lembrar daquele olhar que não via há anos e de poder revê-lo novamente.
Celso Moreira Jacinto
31/08/2013
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